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Consciência cidadã com amor ao meio ambiente

 

Um núcleo de jardinagem e horta que visa integrar escola e comunidade despertando uma consciência cidadã de responsabilidade e amor ao meio ambiente. Esse é o propósito do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, a Escola Parque, localizado no bairro da Caixa d’Água, em Salvador. O projeto, que atrai alunos de diversas faixas etárias, familiares e comunidade do entorno, é uma das 70 oficinas do Núcleo de Projetos Especiais (NUPES) oferecidas pela escola, ao lado das atividades do currículo regular.



“Para além de trabalhar técnicas de plantio, tratamento de resíduos e outras coisas inerentes a conservação dos recursos e biodiversidade, trabalhamos também conteúdos na dimensão das atitudes. Temos como proposta estimular o ativismo nas causas socioambientais e o engajamento dos estudantes em buscar soluções para a problemática do meio ambiente", afirma Uiré Penna, professor do núcleo. No Brasil, a preservação ambiental nas escolas tem até mesmo uma base política. A Lei número 9.795, de 27 de abril de 1999 prevê que a educação ambiental deve estar presente e ser desenvolvida em diferentes níveis educacionais, em escolas públicas e privadas.



Dentro do ambiente escolar, a criança vai iniciar o seu processo de interação social, inserindo-se em uma nova realidade além daquela vivenciada com os seus familiares. “Durante a infância, é importante trabalhar os temas meio ambiente e preservação de forma lúdica e inseri-los em atividades interdisciplinares. Dessa forma, os jovens conseguem relacionar o cuidado com o meio ambiente com os diferentes temas a que está tendo acesso e, assim, ter uma compreensão mais ampla e dinâmica sobre o mundo e seus desafios”, argumenta Uiré.



Neste momento, por conta da pandemia, o projeto está parado. Mas o incentivo do docente é que práticas de preservação, conservação, descarte correto e reaproveitamento de materiais, com vistas em proteger o meio ambiente, sejam uma constante na rotina de jovens e adultos. Nós precisamos do meio ambiente, e não ele de nós. Assim, a consciência ambiental é primordial para compreendermos que dividimos tempo e espaço com outras criaturas e interagimos com fatores diversos”, finaliza.




Educação para a preservação

 

Paulo Serra e seu personagem Mero

A chamada crise climática tem lançando questionamentos sobre nosso modo de vida e a forma como consumimos. De acordo com um estudo de 2018 publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), as crianças fazem parte de um dos grupos mais vulneráveis diante desse contexto adverso das mudanças climáticas. Doenças respiratórias causadas pelo aumento da poluição, eventos climáticos extremos como inundações, furacões e tsunamis têm afetado cada vez mais a qualidade de vida das crianças e suas famílias.



Mas, como construir uma consciência nas próprias crianças da necessidade vital de preservação do meio ambiente para que elas próprias tenham um futuro mais saudável? Para ativistas das questões de preservação da vida no planeta, é imperativo educar as crianças e jovens para cuidar dos nossos recursos naturais. “O nosso planeta terra é nossa única casa, nossa casa comum. E o homem é o único ser que agride e destrói o meio ambiente. É preciso trabalhar a consciência dos jovens neste sentido. Muitos recursos que a terra nos dá, não são renováveis, como os minérios por exemplo. É preciso fazer um trabalho neste sentido”, argumenta o cartunista e educador ambiental Paulo Serra.

Ilustração Pixabay


Segundo Serra, a educação ambiental deveria ser uma prática comum nas escolas e não apenas se restringir ao professor de ciências ou campanhas pontuais de reciclagem ou comemorações do dia do meio ambiente, por exemplo. “Educação ambiental precisa ser interdisciplinar. É preciso capacitar os professores de todas as áreas para que haja um trabalho consistente com as crianças.”



O educador alerta ainda que esse trabalho não deve ficar exclusivamente no âmbito escolar. A família tem um papel importante em fazer o jovem pensar no futuro e no quanto as ações tomadas hoje, impactam diretamente no amanhã. “O exemplo dos pais pesa muito. A força do exemplo é fundamental. O não jogar lixo no chão, o respeito pelos animais, o gerir recursos naturais de maneira responsável, como economizar água, luz e alimentos. Parecem pequenas ações, mas são nessas ações do dia a dia que a percepção de mundo das crianças vai se formando”, argumenta Serra.



Serra desenvolve um trabalho com crianças nessa perspectiva utilizando desenhos e cartuns em oficinas de conscientização. Ele  usa o Mero, seu personagem mais famoso, para falar sobre temas ecológicos (a exemplo da poluição das águas e da coleta seletiva de lixo) de forma mais atrativa.  “O lúdico sempre prende a atenção e é esse tipo de ferramenta que eu uso para despertar nos pequenos esse olhar carinhoso e cuidadoso para com o nosso planeta.”




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